As experiências sobrenaturais que vivi desde minha infância, me fizeram sofrer muito no psicológico, criei esta página para relatar algumas delas; que, fazem parte de um livro meu não publicado, intitulado, Mistérios Celestes:

 

Manifestações misteriosas

Aos sete anos de idade, alguns seres estranhos do mundo invisível, já me assustavam em visagens noturnas; mas, após a morte do Josheph, às aparições aumentaram e, o meu medo extrapolava; alimentado nessa época, pelo o mito dos vampiros e dos enigmáticos lobisomens:

A lenda do lobisomem é muito conhecida no folclore brasileiro, segundo a crença, em algumas localidades dizem que eles têm preferência por bebês não batizados, o que faz com que as famílias batizem imediatamente as suas crianças.

Cresci ouvindo falar que os lobisomens sugavam o sangue dos pagãos e, isso muito me assustava; pois, a Marian nunca se interessou em fazer o meu batismo. Portanto, eu sempre tive medo que um lobisomem viesse sugar o meu sangue; até, evitava sair de casa à noite, pois, sentia a presença da fera me rondando...

No início do ano mil novecentos e setenta e sete, já morávamos de aluguel, na rua Jaraguá, no bairro São João, em Vicente de Carvalho – Guarujá.

Então, ouvi comentários de que na quadra ao lado, à frente de um pequeno campo de futebol, lá morava um misterioso homem que não saía de casa; suspeitavam que ele se transformava em um lobisomem. Diante disso, eu, que, já vivia apavorado, só de ouvir falar na lenda; após às 18 horas me protegia, com medo da fera.

Três anos depois, a Marian trouxe os outros dois filhos dela, Mamon e o Vlad, para vir morar conosco, deixando na Bahia sua filha, Cali, com uma amiga, e o Fox, caçulo que nasceu, creio, dois meses antes da morte do Joseph; uma senhora o adotou como filho.

Certa noite, a Marian dormia com o Vlad, enquanto eu e o Mamon assistíamos televisão; então, às 23h35, ouvimos um forte barulho vindo do quintal, parecia rosnados de um cão com o bafejo dos cavalos; não me lembro se era noite de lua cheia, — nem me atreveria a ir lá fora averiguar — mas, sim, de ter cochichado isso, sem hesitar, no ouvido do Mamon:

— O lobisomem está lá fora, e Ele veio me buscar...

Apavorado, o Mamon se levantou e deitou-se entre o Vlad e a Marian que dormiam no outro beliche, agarrando-a; eu, então, me levantei, reduzi o volume da antiga televisão, e sentei-me no meu beliche, apoiando o corpo no canto da parede feita de compensado... em seguida, o Mamon e eu, ficamos calados com os olhos esbugalhados e o coração acelerado...

Nesse momento, ao lado da parede onde eu estava, a fera novamente rosnou enfurecida e, arranhou cinco vezes, creio, com as patas traseiras, o solo composto de restos de entulho; depois, exatamente no local onde eu pus a cabeça, ela cravou as garras e, arranhou três vezes o compensado... deixando-me paralisado de medo. Então, ela foi até a porta da frente feita de grossa madeira e a arranhou seis vezes, e se chocou nela quatro, tentando sem êxito arrebentá-la; aí, um silêncio assustador se fez presente...

Inexplicavelmente, a Marian e o Vlad não acordaram com o barulho, enquanto eu e o Mamon, de luz apagada, nos cobrimos com os velhos cobertores...

Ao amanhecer, relatamos os fatos aos demais da família, os quais se admiraram ao verem no compensado, ­— onde eu encostei a cabeça ­— no solo e na porta, às marcas profundas dos arranhões... feitas pelas as garras da enigmática criatura, nessa inesquecível noite tenebrosa.

Dias depois, as pessoas comentavam no bairro... que o misterioso homem parecia ter se mudado, ou, morrido dentro da sua sinistra casa, envolta com pés de coqueiro e matagal; pois, nela o silêncio se fez presente... e, ninguém se atrevia naqueles dias a aproximar-se do local.

No ano de mil novecentos e oitenta, a Marian comprou um enorme barraco em cima de palafitas, na rua dos Miosótis, no bairro Jardim Primavera-Guarujá; onde, meses depois, falavam que uma idosa um tanto sinistra, se transformava em lobisomem, rolando-se na cocheira... onde o filho bigodudo dela, criava três cavalos. Portanto, o medo no bairro não era só o meu, pois, todos os moradores da favela, evitavam sair de casa após as 23 horas, com medo da criatura.

Após as 2 horas da madrugada, era comum ouvirmos os latidos dos cães na vizinhança; os quais, logo eram substituídos por um silêncio assustador, o qual fazia-me ir dormir, na expectativa de que algo ruim fosse acontecer... Diziam que neste horário, a fera corria pelas as ruas e os cães a seguiam, porém, eles paravam e se emudeciam, quando ela se voltava para trás e lhes fitava os olhos...

“Nessa época, eu, e os meus amigos, o Anton e o irmão dele, Walter, e um outro vizinho nosso, o Georges; sempre jogávamos dominó na área da frente da casa do irmão do Anton, das 18 até às 23 horas:

— Vamos ficar sentados lá fora, até às 3 horas da madrugada, para ver o lobisomem passar, neguinho?

— Tu és louco, Anton? Eu tenho amor à vida. — Respondi-lhe”.

O barraco na favela onde eu morava, ele havia sido construído em cima de palafitas no lamaçal, nas paredes do meu quarto tinha algumas frestas de quase um centímetro de largura entre as tábuas; falhas, estas, que, muito me inquietava; quando eu via à escuridão da noite, vinda do lado de fora daquela habitação tosca...

Ao anoitecer, eu, rotineiramente ouvia o velho rádio tocar em baixo volume... músicas sertanejas antigas, que muito me relaxavam antes de dormir...

Entretanto, em uma dessas noites, o rádio tocava a música, Índia, de Cascatinha e Inhana:

“Índia seus cabelos nos ombros caindo... negros como a noite que não tem luar”...

Quando, de súbito, eu escutei pisadas no lamaçal... sucedidas por uma forte pancada na janela do meu quarto; em seguida, eu vi assustado pela a fresta vertical das tábuas, uma presa igual a de um cão, e um olho avermelhado me observando... segundos depois, foram dois temíveis olhos da mesma cor, por debaixo da fresta horizontal da janela.

Nesta noite tenebrosa, eu estava sozinho em casa, e não consegui dormir, após avistar a fera; então, fiquei o resto daquela noite, olhando para o meu cobertor que estendi nos pregos que havia nas tábuas... para evitar que ela me visse por entre as frestas.

Ao amanhecer, tive coragem e entrei na lama por entre as palafitas... bem no local onde a fera me apareceu, e, vi, por debaixo do barraco ao lado, que haviam sido retiradas três tábuas que impediam que alguém viesse da outra rua pelo o manguezal... indo de encontro aonde eu morava; então, recoloquei o obstáculo, e ripei todas as frestas que havia ao redor do nosso barraco.

O incrível, é que, neste caminho que foi aberto, creio, pela a enigmática criatura; um pouco mais à frente, à esquerda, ficava a cocheira, onde o filho da idosa sinistra acolhia os cavalos.

“Anos depois, o meu padrasto — o casado — comprou três enormes caminhões de entulhos para preencher o espaço externo que havia em volta das palafitas... e o interno, do piso do nosso barraco”.

Dias depois, o lobisomem também amedrontou a nossa vizinha Mari, a qual, se deparou com a fera a sua frente; momento este, no qual, eu também a vi, assim:

Após as 23 horas, o cão bassê da Mari, latia muito na área da frente da casa dela; nesse momento, eu pensei que fosse um marginal, passando pelo o lamaçal... em busca de algo que pudesse roubar.

Mas, temeroso com a fama do lobisomem, eu, aí, olhei por uma fresta que havia na janela de madeira do quarto da Marian... e, vi, uma criatura de cor cinzenta, peluda, com cerca de 1,65 metros — tamanho aproximado da idosa sinistra; ela tinha as orelhas pontiagudas, e o corpo em pé; e, olhava para o cão bassê à direita, latindo na área.

Enquanto eu a via pela a fresta, a fera parece que sentiu a minha presença e, então, ela girou o pescoço lentamente olhando em minha direção... daí eu tive medo que ela viesse me trucidar, e me escondi ao lado da janela.

Nesse momento, a Marian acordou, veio em minha direção... e cochichou:

— O que você está olhando, há alguém lá fora?

Quando esbocei abri a boca para lhe dá a resposta, nós ouvimos um grito de pavor dado pela a Mari:

— Minha Santa Virgem Mãe de Deus... O que é isso?

Desacompanhada do marido dela, o Arnold, que trabalhava à noite, a Mari, ao notar que o cão bassê dela parou de latir, ela abriu a porta da frente da casa, e o viu deitado com o focinho entre as patas... e, olhando muito assustado para o portão; a Mari, então, levantou a cabeça... e viu o lobisomem olhando para ela há uns três metros a sua frente; mas, a fera saiu em disparada... após ela gritar.

Tive grande dificuldade para dormir nessa noite.

Na manhã seguinte, eu, a Marian, a Mari e o Arnold, ao comentarmos sobre a aparição do lobisomem, a Mari confirmou:

— O lobisomem tem os olhos avermelhados!

Meses depois, o Cuxe chegou da escola às 23h45, então, ele entrou, e saiu rapidamente da casa que ele havia comprado do Georges; em seguida, o Cuxe entrou na casa da Marian; aí, o nosso cão Pastor Alemão chamado Dick, começou a latir sem parar; ele estava amarrado na área, à frente da porta da casa.

“Devido ao seu imenso tamanho e ferocidade, o Dick impôs medo aos marginais; assim, ele evitava que eles invadissem a nossa casa, passando por entre as palafitas”.

— Merda, deve ser o lobisomem à causa dos latidos, e eu, deixei a porta da minha casa aberta.

Nesse momento, a Marian costurava roupas na sua antiga máquina de pedal.

Após falar isso, o Cuxe correu e fechou a porta da casa de Marian... aí, o Dick parou de latir; o Cuxe, então, olhou por debaixo da porta, e viu o Dick deitado com o focinho entre as patas.

— Psiu, — disse ele — quietos. Acho que eu vi um vulto negro passando por entre à escuridão... e, indo de encontro ao lamaçal. Fiquei apavorado.

Nesta noite, o Cuxe não teve coragem de ir para a casa dele que ficou aberta, e dormiu na casa de Marian; à distância entre as duas casas, era de apenas uns seis metros.

Dias depois, o Cuxe e eu, conversávamos com alguns criminosos amigos dele, até que, surgiu a idosa sinistra que diziam se transformar em lobisomem; aí, para a minha surpresa, o Cuxe empunhou um revólver... e falou:

— Qualquer dia desse eu pegarei essa arma, e, atirarei num certo “animal” que circunda a minha casa; e, verei o que acontece.

A idosa com a testa enrugada e as unhas enegrecidas, ela o mirou arqueando as sobrancelhas... e saiu apressada do local. Meses depois, eu fiquei sabendo que ela tinha morrido; então, ninguém falava mais sobre o lobisomem, nem temia sair à noite no bairro, pois, o dito-cujo “misteriosamente” havia sumido.

Os mais antigos conhecem muitas histórias sobre os lobisomens, e, ao longo dos tempos elas vêm se propagando... hoje, pouco se fala sobre tal criatura nas capitais; os mais jovens nem acreditam que eles existem. Todavia, nas zonas rurais e interioranas do Brasil, é comum encontrar pessoas que passaram por experiências semelhantes às minhas, ou, sabem de alguém que avistou a fera.

Desde a minha infância, eu venho passando por diversas situações desagradáveis, mas, as correlacionadas aos lobisomens, se não me engano, elas se iniciaram aos seis anos de idade — com término, no ano 1982:

Nessa época, — 1972 — lá em Jequié-Bahia, no Baixão do Lajeado, havia um celeiro chamado: Casa de Farinha; local no qual os peões sempre produziam farinha de mandioca; mas, eles começaram a notar que a produção diária, que ficava esfriando à noite no grande tacho para torrarem, sempre sumia na manhã seguinte.

— Vamos nos esconder à noite no celeiro para pegarmos quem está nos roubando.

Disse um dos trabalhadores rurais.

Os três, então, se armaram com fações e chicotes, e apagaram os lampiões; depois, esperaram o “ladrão” que os roubava todas às noites. Aí, na madrugada, eles notaram um vulto indo e apoiando as patas no tacho, onde crestavam a farinha, e acenderam os lampiões.

— Minha Nossa Senhora. A criatura é um lobisomem!...

A história na íntegra, pode ser ouvida no vídeo abaixo:

 

 

 

A Libertação da Alma do Alan

Na verdade, não foi apenas uma, mas, três, foram as almas libertas do Inferno; ao anoitecer do nono dia, terceiro mês, ano dois mil e oito; o texto original foi adaptado, para atender às necessidades desta página.

 

Atendendo a um pedido de minha atual e digníssima esposa, Alessandra, à noite me encontrei com o Alan, irmão de uma conhecida, Paula, que estava no oitavo mês de gestação. Havia três dias que ele contou isso para ela:

“Nunca tenho sorte com as mulheres, e tudo que faço dá errado. Não cobiço os bens alheios, e, creio e tenho muita fé em Deus. Embora eu tenha sido batizado na igreja... — a primeira, e também frequentado a Igreja de Cristo (Mórmon); eu nunca me agreguei a nenhuma delas, pois, na verdade eu só acredito no que está escrito na bíblia.

Porém não sei o que acontece comigo, pois desde criança eu vejo espíritos negros à minha frente, eles me circundam aonde quer que eu esteja; em especial, um deles que me aparece sempre. Não sei se ele é do sexo feminino ou masculino, todavia, tal espírito logo tenta se evadir do local, após eu afirmar já tê-lo visto.

Além disso, eu sinto algo pesado sobre o meu corpo... como se fossem duas corcovas; uma em cima de cada omoplata. Eu só sei que é algo muito grande! Mas não o que é, ou, o que representa.

Noutrora sonhei com um personagem cujo esplendor e aparência eram radiantes. Eu não vi o rosto dele, pois uma grande luz o encobria. Em seguida, vi dois anjos, um deles cobriu com o braço esquerdo sua face... de modo que eu não pude vê-la, mas senti que estava desfigurada; o outro tinha uma aparência bela, e com seriedade me perguntou:

Tu queres que se cumpra aqui na Terra, ou não?

No momento eu desdenhei a pergunta dele, pois não o compreendi. Porém, ele extremamente sério me repetiu as mesmas palavras... Aí, senti que ele falava sobre algo que eu tinha que optar ainda em vida, e que morreria se não decidisse logo.

— Quero que se cumpra aqui na Terra! Pois, desejo viver mais algum tempo. Falei, e então acordei”.

Após ouvir o Alan, fiz de tudo para conquistar a confiança dele: contei para ele à experiência que tive com um membro da Igreja de Cristo (Mórmon), que foi levada a contemplar à entrada do Inferno; com os dois personagens negros que me provocaram uma terrível dor nas costas (descrito no Talk. 6.); e como libertei das Trevas, a alma de Alessandra.

Em seguida, revelei o significado do sonho que ele teve:

— O primeiro personagem visto por ti, fora o próprio Deus, pois a sua imagem é como uma luz; o que lhe escondeu o rosto, é um espírito oriundo das Trevas; o outro de aparência bela, um Mensageiro de Deus.

— O Mensageiro te propôs decidir, se a libertação do teu corpo celeste que está cativo nas Trevas, deveria ocorrer por agora na Terra, ou, após a tua morte. Portanto, se tu escolhesses que seria após a morte, morrerias naquele instante por ataque cardíaco; pois, à libertação do teu corpo celeste, ocorrerá de qualquer forma.

— As “corcovas” que te pesam nas costas, representam as asas que o teu corpo celeste possuía, antes dele ser levado cativo às Trevas. Não obstante, ele precisa ser liberto, para depois se tornar novamente o teu Anjo da Guarda; e então, as asas lhes serão restituídas e findará as tuas dores.

— Você Alan, tens o Dom de discernir os anjos e os espíritos malignos! Mas não tema ao vê-los, porque eles não podem lhe fazer nenhum mal; pois, tu estás Protegido.

Enquanto eu lhe falava numa praça, a Alessandra distraía uma das irmãs do Alan, que estava curiosa para saber sobre o que conversávamos.

— Tu estás disposto a libertar a tua alma, como optastes no sonho?

— Sim. O que eu preciso fazer?

— Vamos ao meu apartamento, pois lá o instruirei...

Então, o instruí e mandei se sentar numa cadeira no centro da sala... e, lhe ungi a cabeça, a testa e o coração com o óleo Consagrado; e ficamos um à frente do outro, entrelaçando as mãos e de olhos fechados. Em seguida, pedi a Deus pela libertação do corpo celeste dele, mas não fui bem-sucedido. Porém, ele já estava em transe.

— Eu vejo apenas escuridão no local onde o meu corpo celeste está cativo Joel!

Então, pus uma mão na cabeça e a outra no coração do Alan, desejando trazer ao corpo dele... o espírito que ele via sempre desde criança. Aí, ele ficou imóvel, e o corpo parecia estar sem vida.

— Abra os olhos e olha para mim — falei, para que eu pudesse discernir quem estava em seu corpo. Ele os abriu, porém...

— Os teus olhos estão vermelhos Joel! — Ele falou quase igual à Louise noutrora (descrito no Talk. 5.).

A Alessandra após despistar a irmã dele, ela bateu na porta, e entrou na sala nos olhando com cautela... Olhei para ela, e depois para o Alan; e de supetão... senti que havia um espírito maligno no corpo dele, e falei:

— Eu já o discerni! Manifesta-te por completo. — O vi num repente, igual ao Alan.

O demônio então se manifestou... e logo fitou meus olhos; e começou a falar, como se me lançasse encantos num dialeto estranho.

— Tu não me farás nenhum mal com a tua magia! — falei.

O demônio então olhou para a Alessandra sentada no sofá e...

— Nem a ela tu farás mal. Pois, estamos Protegidos.

Ele recuou após eu lhe afirmar isso... e novamente me lançou magias.

— Não fale assim, mas em minha língua no sotaque português!

Ordenei-o com destemor, porém o mesmo continuava a falar num dialeto estranho, e me fitando os olhos...

Então, mudei de tática.

— Alessandra, vá até a cozinha e pega um copo com água corrente...

O demônio se calou, e esbugalhou os olhos...

Em seguida, ergui o copo e orei a Deus, pedindo que Ele abençoasse a água que, seria usada contra o demônio; qual se mostrou apreensivo e muito assustado com a minha atitude. Então, ao vê-lo temeroso, lhe falei:

— Eu não te quero mal, e não desejo lhe causar nenhum sofrimento. Sei que fazes o Mal, porque tu és mandado por Ele, Lúcifer, e tens que cumprir às ordens Dele. Porém, o quê vós quereis que eu te faça? Que te borrife a água abençoada e te queime o corpo, ou, a dê a ti para aliviar a tua sede?

Aí, o demônio chorou em total descontrole emocional... acenou a cabeça aceitando a água, e finalmente falou no sotaque português:

— Dá-me a água para bebê-la. Pois há muito tempo eu não sei qual o sabor de tê-la em minha garganta!

Enquanto ingeria a água com sofreguidão... e quase se sufocava com o líquido que lhe escoria pela boca... o demônio chorava copiosamente num misto de histeria e psicose; então, lhe falei:

— No momento que te vi manifesto no corpo do Alan, senti que era você, o espírito que o circundava desde criança.

— Sim, era eu mesmo!

— Se tu desejares, eu também te libertarei do Inferno.

— Todos os cativos desejam ser Libertos! Lá — no Inferno — é muito quente. Mas em sua casa é diferente. Aqui têm muita paz!

— Muito bem. Só que antes você terá que cumprir uma missão.

— Qual?

— Sei que tu não és o corpo celeste do Alan, mas você sabe o local exato onde ele está preso, não é verdade?

— Sim.

— Então, façamos um trato: você terá que retornar ao Inferno, onde o corpo celeste dele está preso, para me ajudar a resgatá-lo de Lá — pois, não fui bem-sucedido na minha primeira tentativa —, certo? Depois, eu os Liberto.

O demônio tremeu descontroladamente quando lhe propus isso.

— Por favor, não me faças retornar aquele lugar, pois eu tenho muito medo de não mais voltar

— Não tenha medo. Eu te garanto que retornarás a esta casa... e serás Liberto! — Assim o convenci.

Em seguida, nos sentamos entrelaçando as mãos um à frente do outro, objetivando libertar o corpo celeste do Alan. Aí, com a mente, pedi a Deus que Ele enviasse anjos, junto com o meu corpo celeste ao inferno para o libertarmos — o demônio que estava no corpo do Alan os conduziu... Uns três minutos depois, um espírito manifestou-se no corpo do Alan e, eu lhe dei água, e perguntei:

— Qual é o teu nome?

— Não te posso revelar o meu nome. Aqui na tua casa é bom, faz frio! — Era uma noite de verão no Brasil, ainda assim ele disse fazer frio.

— Eu quis saber qual o teu nome, para ter certeza de que fora mesmo você, o corpo celeste do Alan, quem libertamos das Trevas. Contudo, me esclarecestes à dúvida, ao não me revelares o teu nome.

Em seguida, o corpo celeste dele bebeu pouco mais de água... e saiu do seu corpo mortal... deixando-o desfalecido. Então, toquei-o na face e...

— Alan, acorda. Você está bem?

— Hã? Sim. Eu estou bem! O meu corpo está muito leve, porém, as minhas pernas doem.

Nesse momento ele se olhou sentado, ainda muito molhado pela água que escorreu da boca dos espíritos... ao beberem dela.

— Por que o meu corpo está molhado assim?

Enquanto a Alessandra e eu, relatávamos para ele o que tinha acontecido, de súbito, outro espírito maligno manifestou-se no corpo dele e... Incrível! Ele instantaneamente arqueou o braço esquerdo escondendo sua face... e pôs o joelho direito no solo... depois, com voz infantil, começou a cantar assim:

— Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar; vamos dar à meia-volta, volta-e-meia vamos dar...

No momento que o espírito cantava essa canção infantil, a Alessandra sentiu que era a alma de uma criança que havia sido liberta das Trevas; e, lhe estendeu os braços... desejando lhe dar muito amor materno; mas, não sabia o porquê. — Ela me revelou isso depois.

Enquanto ela tinha esse sentimento, eu falava ao espírito:

— Sim. Eu sei! Tu és o anjo que o Alan viu no sonho, aquele que lhe escondia o rosto; e você também deseja ser Liberto do Inferno! Não é mesmo?

— Todos os cativos desejam sair de Lá. Por que eu seria diferente?

— Eu fui esperto, ao ver que o corpo celeste dele — Alan — ia ser puxado de Lá, do Inferno... eu me agarrei às suas pernas com muita força, e também fui Liberto.

— Por isso que as pernas dele doíam. – falei.

— Isso, risos.

Agora contarei a vocês o que aconteceu comigo em minha encarnação passada:

Aos meus três anos de vida na Terra, o meu tio me colocou em uma sela de cavalo e me levou para uma floresta, dizendo que íamos passear. Porém, no local ele me violentou e queimou o meu rosto, depois ele me enterrou vivo. Então, desde aquele dia eu o escondo, pois estou deformado e muito feio.

Os meus pais terrenos perguntaram ao meu tio se ele me havia visto, mas ele lhes afirmou ter me visto brincando junto com algumas crianças na região. Debaixo da terra eu ouvia os meus pais chamarem por mim, porém eles não me ouviam responder ao seu chamado.

O crime ficou insolúvel, os homens nada descobriram, pois, nenhuma pista foi deixada pelo meu tio. Por causa do meu sumiço, os meus pais sofreram muito na Terra; e isso aconteceu há muitos anos atrás.

“Nesse instante, senti que o crime ocorreu no ano 1.890 d.C. mas não o indaguei a respeito. O anjo do sexo feminino, Madalena (descrito no Talk. 25.), revelou-me, que, na presença dos anjos... eu seria investido com o Dom da Revelação”.

Contudo, esse meu tio morreu e foi posto nas Trevas; eu o vi sofrendo Lá. Eu também sofri muito ao ser levado cativo, os outros cativos batiam muito em mim por eu ter o rosto deformado. Eles diziam que ninguém ia me querer bem, por eu ser muito feio; alguns falavam que em breve eu iria reencarnar aqui na Terra, mas, sempre que chegava a minha vez, eles me empurravam e passavam a minha frente.

Esta é a minha história.

— E muito triste por sinal. Tira a tua mão esquerda do rosto, e olha para mim. — falei.

— Não. Pois eu sou muito feio! Somente posso confiar em uma pessoa boa e que tenha o coração puro.

— Então, coloca a tua mão sobre o meu coração, e sinta se Eu Sou esta pessoa que tu dizes — Um semideus;

O espírito que ainda cobria com a mão esquerda sua face... pôs à direita sobre o meu ombro e o coração, e falou:

— Tu és diferente dos outros, tens o coração puro. — Fiquei surpreso ao ouvi-lo afirmar isso.

— O que é aquilo? — Referindo-se ele ao televisor.

— É um aparelho que transmite imagens. — Não o liguei.

— Eu nunca tinha visto isso antes, na época que eu vivi na Terra... existia apenas à luz de lamparina.

— Agora que tu já analisaste o meu coração, eu ti proponho a aceitar à imposição de minhas mãos sobre a tua cabeça, para que eu use os Poderes do Sacerdócio de Melquisedeque, e do Anjo, a teu favor; e te envie de volta à Terra como um espírito reencarnado.

— Mas... eu reencarnarei assim com o meu rosto deformado; me lembrarei das coisas que eu vivi em minha encarnação passada, e da experiência que eu estou tendo aqui em tua casa?

— Não. Tu não te lembrarás de nada.

— Então, eu aceito!

Enfim, o espírito tirou a mão esquerda do rosto, onde eu pus a minha direita; e a esquerda sobre a sua cabeça, para que, através dos poderes do sacerdócio, o seu rosto fosse restaurado. Pois, o anjo Madalena me disse que eu poderia realizar todas às coisas, dizendo: Eu Posso!

— Eu te abençoo, para que tu nasças perfeito e seja muito amado pelos os teus pais terrenos. O amor que existia entre vós, e fora rompido em tua encarnação anterior, agora serás infinito; e tu cuidarás deles na velhice. A partir de agora, tu e os outros dois espíritos que vieram ao corpo do Alan, estão livres do Inferno. Após serdes curado e batizado no mundo espiritual, você será enviado a Terra... e, nascerás no ventre da irmã do Alan, que se encontra no oitavo mês de gestação. Esta benção selo sobre a tua cabeça!

Em seguida, o espírito saiu do corpo do Alan, deixando-o desacordado e com a cabeça pendida.

“É necessário aos homens padecer muitas vezes, desde a fundação do mundo, em encarnações ulteriores; até se completar os planos de Deus para este mundo. O espírito terreno de Deus já encarnou outras vezes na Terra, porém, isso só está sendo revelado hoje, devido à incredulidade dos homens. Se a reencarnação fosse só um mito, estas crianças novamente não nasceriam”.

Até esse dia, sete espíritos foram Libertos das Trevas: Madalena, Cátiele, Bate-Seba, Eva; e os três de hoje. Nesse ínterim, a Alessandra só tinha presenciado à libertação do corpo celeste dela, Eva, e destes três outros espíritos; antes disso, ela só me ouvia falar sobre. Aliás, estas libertações pós a Alessandra, ocorreram sem que eu sofresse nenhum dano físico, ou tivesse dificuldades. Pois, eu já estava Aperfeiçoado — com o coração puro.

— Como vamos saber ser o espírito infantil, nascerá mesmo da irmã do Alan... que nem sabe o que aconteceu aqui esta noite Joel? — indagou-me a Alessandra.

— Simples, ele nascerá com uma pequena marca no local onde estava deformado, em volta do olho esquerdo.

O espírito que aparecia sempre para o Alan, sem nunca lhe importunar, fora o tio que noutrora matou a criança. Praticar o homicídio o condenou às Trevas, porém, lhe foi dada nova chance, e imposto que retornasse às Trevas... para inconscientemente resgatar também o sobrinho; visto ter sido Ele, o culpado pela condenação do mesmo.

O corpo celeste do sobrinho já estava cativo nas Trevas, antes mesmo dele encarnar na terra no passado. Então, desse corpo foi separado o seu espírito terreno — a criança —, o qual foi enviado a Terra; pois, quando se tornasse adulto, e tivesse a oportunidade de Aceitar a Cristo através do batismo, isso também serviria para libertar o seu corpo celeste. Porém, a morte precipitada da criança, interrompeu o que fora pré-determinado.

As crianças são salvas naturalmente! Contudo, tanto o espírito terreno, quanto o corpo celeste da mesma pessoa, eles têm o livre-arbítrio para decidir seguir, ou não, o bom caminho. Porém, não sei se existem outros motivos que venham a explicar, o porquê que as crianças se tornam cativos nas Trevas.

Dias depois, a criança que eu abençoei, ela realmente nasceu do ventre da irmã do Alan. Eis, o relato da mãe do menino que nada soube da experiência que nós tivemos:

— O teu filho nasceu com algum tipo de marca no corpo? — perguntei.

— Ao tê-lo em meus braços, notei que ele nasceu com uma pequena marca quase imperceptível acima, na pálpebra do olho esquerdo. Ao indagar ao pediatra, ele me disse que também havia notado tal marca, mas, que devia ser por causa de um desejo materno não realizado.

Nesse momento, a Alessandra, eu e o Alan sorrimos nos olhando com cumplicidade; pois, sabíamos que aquela marca, representava uma experiência que salvou três almas do Inferno!

Uns três meses depois, o mesmo Alan que dizia nunca ter tido sorte no amor, encontrou uma companheira, a engravidou e mudou-se para uma cidade vizinha. Tal mulher lhe apareceu, conforme eu lhe havia predito logo após libertar o corpo celeste dele.

Infelizmente, após a libertação o Alan me ignorava quando eu passava ao seu lado, ou, ele desviava do caminho quando me via de longe indo em sua direção... me deixando entristecido.

Certo dia, eu esperava à vez para cortar os cabelos, quando ele entrou na mesma barbearia... e ficou algum tempo conversando com o barbeiro; e me ignorou totalmente. Mas, fazer o quê? Jesus Cristo curou dez leprosos, mas somente um lhe agradeceu [Lucas. 17:11-17, Isaías. 53:1-3, 11].